Porto: Café Época

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Há cada vez mais vegetarianos na cidade, mas é quase sempre “um pouco mais do mesmo”. Os bufês, as francesinhas vegetarianas, a feijoada de tofu, os “bifes” de seitan, etc, etc. Eu entendo que seja importante para um “novo vegetariano” passar pela fase da substituição das carnes em pratos carnívoros de que gosta, mas acho também um pouco sem sentido (além de o consumo excessivo de soja não ser recomendado). Ser vegetariano, para mim, é saber celebrar as verduras, legumes e leguminosas, ver a alimentação de uma forma diferente, não comer uma coisa fingindo que é outra. Eu não sou vegetariana (mas já fui), justamente porque ainda não consegui mudar a minha mentalidade, o meu paladar. Não sei se algum dia voltarei a sê-lo, mas tento seguir uma alimentação “flexitariana”, ou seja, com base num consumo maior de legumes e no consumo ocasional de carne.

Portanto, gosto de restaurantes vegetarianos que apresentem uma proposta mais em linha com o que escrevi acima – voltados para pratos interessantes e criativos à base de legumes e leguminosas. Quando soube da inauguração do Época, um café vegetariano que só usa ingredientes biológicos, da chef Liliana Alves, tive de ir conhecer.

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Eu gosto muito de cafés, restaurantes simples, com menus curtos e sazonais, com foco na produção biológica (orgânica). Inspiram mais confiança, como costumam dizer no Masterchef: “não há onde se esconder”. Bufês sempre me deixam um pouco assoberbada, confusa com a variedade, em geral, desconexa de escolhas.

O Época tem um ambiente muito relaxante, é decorado no estilo escandinavo (em linha com a experiência da Liliana que, na Dinamarca, trabalhou na cozinha do Relae) e tem livros de culinária, de viagem para folhear, mais revistas à venda. Há muitos restaurantes e cafés assim hoje em dia, mas o Época tem uma atmosfera especial, típica de um projeto de quem tem paixão pelo que faz, que não está apenas seguindo as tendências atuais para “ganhar dinheiro”. A localização também ajuda: fica situado na Rua do Rosário, uma das minhas preferidas no Porto.

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Há dois menus: o fixo, na linha “brunch saudável”, com tostas, papas de aveia, granola, etc., e o o menu do dia, que oferece sopa+prato principal (2 opções que variam)+bebida por 6€. O prato principal não é muito grande, mas, combinado com a sopa e uma sobremesa, é mais que suficiente para quem, em geral, segue uma alimentação mais leve e/ou vegetariana.

A sopa de curgete estava uma delícia, ligeira, com o toque super interessante de pedacinhos de limão em conserva (segundo a Liliana, preparados na casa).

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Havia duas opções de prato principal: caril de couve com arroz integral e tostas “desconstruídas” com tzatziki e feijões verdes. Escolhi a segunda, pois adoro pratos assim.

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A bebida foi uma infusão de especiarias, à temperatura ambiente (como tem de ser, não sei se foi intencional) – faltou a foto. Como quase todo café, o Época vende pastéis, doces e pães (óbvio, na linha mais saudável) – havia uma tarte de cerejas com cobertura de crumble a sair do forno (frutas+crumble+tarte = uma das melhores coisas do mundo), quentinha, que foi a minha sobremesa. A foto desta fatia não faz justiça, estava realmente maravilhosa.

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Acho que está óbvio que adorei conhecer o Época. Recomendo e quero voltar assim que possível; possivelmente, para um brunch – quase pedi a tosta de brioche com ricota e frutos vermelhos como sobremesa, mas fica mesmo para próxima.

Café Época

Rua do Rosário, 22

Porto, tel. 913 732 038

Horário de abertura: 09h-18h

 

 

 

 

 

Pitacos saudáveis #1

Eis uma nova rúbrica – mas sem a intenção de fazer grandes proselitismos à alimentação saudável. É que eu gosto de me alimentar bem e sem pesticidas, antibióticos e conservantes (ou crueldade animal, mas daí já é mais difícil sem se comprometer com uma dieta vegana), e estou sempre à procura de novas lojas e restaurantes que vendam ingredientes biológicos e incomuns/ sirvam refeições vegetarianas e veganas. Mas sou onívora.

No sábado, fui com a minha filha ao Human Fest Porto (13-16 de outubro, Pavilhão Rosa Mota, Jardins do Palácio de Cristal), e acabei lanchando por lá (comida vegetariana, na onda do evento). O estande que escolhi estava representando o restaurante Despertar da Sensibilidade (Rua Augusto Simões, 1359, Maia, Porto; tel. 22 948 9996). Havia opções interessantes de pratos quentes, as fotos da página do FB prometem um ambiente super zen e gostei do atendimento durante a feira. Provei(amos) o bolo, de beterraba, cenoura e espinafres com cobertura de chocolate, que estava ótimo (pensando seriamente em fazer uma versão aqui em casa, mas de cenoura e beterraba, duas camadas distintas, a criaturinha que pari detesta tudo verde). Experimentei, também, uma empada de tofu e cenoura; o recheio estava bem temperado, mas a massa, um pouco seca – acontece. O bolinho ao lado (que, na verdade, causou uma dor de barriga que durou até terça, uma pena, mas ela pareceu gostar) da empada era da minha filha; não cheguei a provar, e veio de outro estande, onde comprei o chá.

(alerta para TODAS as fotos a seguir: zero food styling)

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Cinco dias depois, na Baixa, resolvi finalmente conhecer o Da Terra (Rua Mouzinho da Silveira, 249, Porto, tel.: 223 199 257), mais um restaurante vegetariano no Porto, originalmente de Matosinhos. Uma conhecida tinha me falado maravilhas do tempero, é uma instituição vegetariana aqui da área, então, tinha bastante curiosidade. De qualquer forma, o Da Terra é um conceito mais amplo e também oferece cursos e workshops.

imgp0005imgp0014Primeiramente – eu compreendo que seja necessário capitalizar a clientela estrangeira (turística) que circula pela área. Mas o quadrinho podia ser bilíngue, não?

Lá dentro, o ambiente é luminoso e amplo, e o buffet é apresentado de forma elegante e tudo é muito bonito (bom, tão bonito quanto comida de buffet pode ser, já que não se tratam de pratos individuais). O atendimento é casual, e a moça atrás do balcão foi simpática ao explicar, após eu perguntar, que não aceitam cartão (?) e que eu poderia ir ao caixa eletrônico/ multibanco após a refeição se necessário (um voto de confiança que, no meu país de origem ou no da minha filha, dificilmente existe) – eu já tinha o meu prato feito na bandeja.

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Não pedi bebida e, após a minha primeira visita ao buffet, finalmente o empregado de mesa veio perguntar o que eu gostaria de beber. Um pouco tarde e, diante da minha negativa (em geral, não bebo durante as refeições, só vinho e cerveja quando como carne e, mesmo assim, não sempre), ele virou as costas sem dizer nada, como se eu realmente tivesse perdido todo e qualquer interesse. Não que houvesse algo a dizer, mas achei a atitude um pouco rude.

O que eu comi, em ordem cronológica (não sobrou espaço para sobremesa):

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Uma mistura de saladas: cenoura e passas, verde e Waldorf (amo). Um burrito de feijões e milho, uma torta/ tarte de legumes e torradinhas com homus de feijão branco e beterraba (acho que era isso, a textura cremosa era de feijões). A minha preferida foi a torta/ tarte, tanto que repeti na segunda rodada (assim como a Waldorf).

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Estes bolinhos cor-de-rosa com uvas eu não sei bem o que eram, mas tinham textura de polenta cozida. Pensando bem, acho, sim, que eram de polenta com beterraba. Não sei se gostei ou não, mas não estavam ruins. Neste prato há também a cebolada com tofu – muito boa, o tofu estava bem temperado, tinha sabor de queijo. No buffet, há sempre três pratos principais quentes, mais sopa, saladas e acompanhamentos variados.

Por fim, o outro prato quente. O caril de abóbora e cogumelos.

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Estava bom, mas a minha ideia de caril é um pouco diferente – molho espesso, seja à base de tomates, natas, amêndoas ou leite de coco, com uma mistura de especiarias um pouco mais complexa. Acho que a textura dos legumes pedia um molho mais encorpado. O seitan eu não (nunca) provei, já não havia espaço, e eu realmente não me sinto atraída por um pedaço de proteína difícil de digerir. Todos os restaurantes vegetarianos oferecem seitan, que eu vejo mais como “satã”. É subjetivo, sei.

O veredito? Voltaria, sim, quero experimentar mais. Adorei? Não, mas sei que é assim com buffets – o menu é um pouco desconexo, nem todas as opções são interessantes ou estão na temperatura certa, etc. Acho que o atendimento, pelo menos na Baixa, é às vezes um pouco impessoal, senti como se estivesse em Londres, numa cidade grande qualquer (algo como um “não lugar”), o que é bom para o negócio em termos de clientela turística, mas não me convence muito. Principalmente em uma cidade conhecida pela simpatia.

Todas as fotos são creditadas a mim, exceto quando outra fonte for citada. © Daniela Oliveira, todos os direitos reservados