Por Matosinhos: o Mercado

 

DSC00164A primeira vez que fui ao Mercado Municipal de Matosinhos foi há dez anos. Como tudo no distrito do Porto, o mercado mudou bastante desde então. Mas, apesar dos escritórios/lojas hipsters no 1º piso, ainda não está tão gentrificado como poderia estar. Naquela área, as coisas ainda parecem relativamente “virgens”, e espero que assim permaneçam por um tempo.

Sempre quis voltar e hoje foi o dia, aproveitando o bom tempo e folga no trabalho. Não fui para fazer compras, pois ia passear até a praia depois, mas gostei do que vi (com exceção das aves nas gaiolas – não sou hipócrita, como frango, mas os animais presos, sem espaço para se mexerem, ali à espera da morte não é visão que me agrade e, acho, se enquadra na categoria “crueldade animal”). Dá para matar umas duas horinhas bem passadas.

Gostei das opções de restauração, muito melhores e mais baratas que as do Mercado Bom Sucesso (que, em teoria, tem mais variedade e guloseimas, mas que não vêm do mercado, são franchises e coisas do género; o que aconteceu ao projeto antigo, por que se livraram do talhante, da peixaria, da loja de produtos biológicos? Uma vendedora que trabalha ali me disse que foi por causa do aluguel e que talvez abram um pequeno supermercado – ????? – no lugar da peixaria. De que vale “vender” o Porto como uma cidade de lugares e gentes autênticas se se torna impossível para os pequenos comerciantes locais fazerem negócio aqui? A sustentabilidade do turismo – e não só – da cidade tem que ser revista). Tem um café simpaticíssimo no 1º piso, uma filial do Comida de Rua, onde tomei um abatanado descafeinado (duplo horror, saia da sala se você gosta de café “de verdade”!!!!!) acompanhado de bolo de pêssego quentinho, recém-saído do forno.

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Ao lado do Comida de Rua, fica uma mercearia biológica muito boa, com todo tipo de produtos, incluindo pães frescos, o Biomercado.

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As opções de restauração incluem um café vegano/vegetariano que quero experimentar na próxima vez (era um pouco cedo para o almoço) e sushi com peixe do mercado (now we’re talking!).

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No térreo (rés do chão), fica o mercado de peixe e mariscos, mais a maioria das opções de restauração.

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No 1º piso, estão os escritórios/lojas, mais as frutas e legumes, ervas aromáticas, flores, plantas e outros produtos. E, infelizmente, os bichinhos engaiolados.

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Por comodidade – e às vezes falta de tempo, não dirijo e estou super bem servida de opções de comércio grande pertinho de casa -, estou acostumada a comprar nos supermercados e nas lojas mais conhecidas, mas ir ao mercado hoje foi uma espécie de “revelação”. Tirando as galinhas vivas e afins, tem tudo ali que eu preciso para fazer o tipo de compra que gosto de fazer, numa área e ambiente que acho super interessantes. Agora já sei o caminho.

Mercado Municipal de Matosinhos

R. França Júnior

4450-131 Matosinhos

Metro: Mercado

Horário de funcionamento: 6h30 às 18h (os cafés ficam abertos até mais tarde)

 

 

 

 

 

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Pitacos saudáveis #1

Eis uma nova rúbrica – mas sem a intenção de fazer grandes proselitismos à alimentação saudável. É que eu gosto de me alimentar bem e sem pesticidas, antibióticos e conservantes (ou crueldade animal, mas daí já é mais difícil sem se comprometer com uma dieta vegana), e estou sempre à procura de novas lojas e restaurantes que vendam ingredientes biológicos e incomuns/ sirvam refeições vegetarianas e veganas. Mas sou onívora.

No sábado, fui com a minha filha ao Human Fest Porto (13-16 de outubro, Pavilhão Rosa Mota, Jardins do Palácio de Cristal), e acabei lanchando por lá (comida vegetariana, na onda do evento). O estande que escolhi estava representando o restaurante Despertar da Sensibilidade (Rua Augusto Simões, 1359, Maia, Porto; tel. 22 948 9996). Havia opções interessantes de pratos quentes, as fotos da página do FB prometem um ambiente super zen e gostei do atendimento durante a feira. Provei(amos) o bolo, de beterraba, cenoura e espinafres com cobertura de chocolate, que estava ótimo (pensando seriamente em fazer uma versão aqui em casa, mas de cenoura e beterraba, duas camadas distintas, a criaturinha que pari detesta tudo verde). Experimentei, também, uma empada de tofu e cenoura; o recheio estava bem temperado, mas a massa, um pouco seca – acontece. O bolinho ao lado (que, na verdade, causou uma dor de barriga que durou até terça, uma pena, mas ela pareceu gostar) da empada era da minha filha; não cheguei a provar, e veio de outro estande, onde comprei o chá.

(alerta para TODAS as fotos a seguir: zero food styling)

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Cinco dias depois, na Baixa, resolvi finalmente conhecer o Da Terra (Rua Mouzinho da Silveira, 249, Porto, tel.: 223 199 257), mais um restaurante vegetariano no Porto, originalmente de Matosinhos. Uma conhecida tinha me falado maravilhas do tempero, é uma instituição vegetariana aqui da área, então, tinha bastante curiosidade. De qualquer forma, o Da Terra é um conceito mais amplo e também oferece cursos e workshops.

imgp0005imgp0014Primeiramente – eu compreendo que seja necessário capitalizar a clientela estrangeira (turística) que circula pela área. Mas o quadrinho podia ser bilíngue, não?

Lá dentro, o ambiente é luminoso e amplo, e o buffet é apresentado de forma elegante e tudo é muito bonito (bom, tão bonito quanto comida de buffet pode ser, já que não se tratam de pratos individuais). O atendimento é casual, e a moça atrás do balcão foi simpática ao explicar, após eu perguntar, que não aceitam cartão (?) e que eu poderia ir ao caixa eletrônico/ multibanco após a refeição se necessário (um voto de confiança que, no meu país de origem ou no da minha filha, dificilmente existe) – eu já tinha o meu prato feito na bandeja.

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Não pedi bebida e, após a minha primeira visita ao buffet, finalmente o empregado de mesa veio perguntar o que eu gostaria de beber. Um pouco tarde e, diante da minha negativa (em geral, não bebo durante as refeições, só vinho e cerveja quando como carne e, mesmo assim, não sempre), ele virou as costas sem dizer nada, como se eu realmente tivesse perdido todo e qualquer interesse. Não que houvesse algo a dizer, mas achei a atitude um pouco rude.

O que eu comi, em ordem cronológica (não sobrou espaço para sobremesa):

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Uma mistura de saladas: cenoura e passas, verde e Waldorf (amo). Um burrito de feijões e milho, uma torta/ tarte de legumes e torradinhas com homus de feijão branco e beterraba (acho que era isso, a textura cremosa era de feijões). A minha preferida foi a torta/ tarte, tanto que repeti na segunda rodada (assim como a Waldorf).

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Estes bolinhos cor-de-rosa com uvas eu não sei bem o que eram, mas tinham textura de polenta cozida. Pensando bem, acho, sim, que eram de polenta com beterraba. Não sei se gostei ou não, mas não estavam ruins. Neste prato há também a cebolada com tofu – muito boa, o tofu estava bem temperado, tinha sabor de queijo. No buffet, há sempre três pratos principais quentes, mais sopa, saladas e acompanhamentos variados.

Por fim, o outro prato quente. O caril de abóbora e cogumelos.

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Estava bom, mas a minha ideia de caril é um pouco diferente – molho espesso, seja à base de tomates, natas, amêndoas ou leite de coco, com uma mistura de especiarias um pouco mais complexa. Acho que a textura dos legumes pedia um molho mais encorpado. O seitan eu não (nunca) provei, já não havia espaço, e eu realmente não me sinto atraída por um pedaço de proteína difícil de digerir. Todos os restaurantes vegetarianos oferecem seitan, que eu vejo mais como “satã”. É subjetivo, sei.

O veredito? Voltaria, sim, quero experimentar mais. Adorei? Não, mas sei que é assim com buffets – o menu é um pouco desconexo, nem todas as opções são interessantes ou estão na temperatura certa, etc. Acho que o atendimento, pelo menos na Baixa, é às vezes um pouco impessoal, senti como se estivesse em Londres, numa cidade grande qualquer (algo como um “não lugar”), o que é bom para o negócio em termos de clientela turística, mas não me convence muito. Principalmente em uma cidade conhecida pela simpatia.

Todas as fotos são creditadas a mim, exceto quando outra fonte for citada. © Daniela Oliveira, todos os direitos reservados