Por Matosinhos (parte 2): Chef Tapioca

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Depois de ter passado parte da manhã no Mercado de Matosinhos, resolvi ir andando até a praia. A minha ideia, na verdade, era almoçar no mercado, mas estava com vontade de caminhar e ver (caminhar no) o mar, e não tinha como ficar enrolando, era muito cedo ainda.

Pensei em parar no primeiro café que oferecesse algo que me interessasse, mas, no caminho que escolhi, o que mais vi foram marisqueiras e afins, mais casas de sushi e cafés que vendiam sanduíches e hambúrgueres (com aqueles menus horrorosos incluindo refrigerantes e batatas fritas, por que há tanta trashy fast-food naquela área?). Depois de dois cafés da manhã (um em casa e outro no mercado), não tinha fome para algo muito pesado. Foi quando me lembrei do Chef Tapioca, que planejava visitar com uma amiga.

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O ambiente é pequeno, mas bem jeitosinho, condizente com a localização, ou seja, com um ar praiano. Li resenhas de gente reclamando que é apertado, que o atendimento é lento, etc. Vamos combinar – não é um restaurante, é uma pequena lanchonete, como chamamos no Brasil. Para que muitos funcionários? Enfim, fui logo no início do horário de almoço, fiquei sozinha até a chegada do próximo cliente, portanto fui rapidamente atendida por uma funcionária muito simpática.

O lugar serve panquecas de tapioca com recheios doces e salgados, mais sucos (sumos) naturais e açaí na tigela. Eu vou confessar: só tinha provado tapioca uma vez, há muito tempo, não sabia bem o que esperar.

Fiquei um pouco decepcionada com as opções salgadas, esperava algo mais diferente, uma pegada mais regional e/ou saudável. Os recheios eram os de sempre – queijo, tomate, muçarela, atum, fiambre de peru, ovos, o que sempre me causa imenso tédio, pois são ingredientes que a gente tem em casa. E tapioca, só da branca mesmo. Escolhi a de cogumelos shitake com queijo, a mais cara e “diferente” da ementa (3,90 €), e achei simpático ter a opção de queijo sem lactose (que escolhi, pois eu e lactose não nos damos bem desde criancinhas). Eu também pedi uma limonada com mel e gengibre que estava ótima (geralmente não bebo sucos às refeições, só se vierem incluídos no menu combinado, mas estava com bastante sede e gosto de uma opção “natural”).

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Estava boa? Sim. Mas não havia nenhum toque especial, nada que fizesse da tapioca uma experiência memorável. Eu não me lembro ao certo da textura tapioca que tinha provado antes, mas achei essa um pouco seca, algo que combinaria melhor com um recheio cremoso ou com molho. Imagino que as doces sejam mais interessantes e vou dar uma segunda chance ao lugar, da próxima vez, com minha amiga.

De qualquer forma, é uma escolha legal de refeição ligeira (e um pouco mais saudável que as dos pães à base de trigo) para quem estiver por ali na praia e quiser fugir das opções de sempre dos bares de esplanada – ou dos lugares turísticos mais carinhos do Edifício Transparente. Acho, também, que minha filha vai gostar.

Chef Tapioca

Praceta Carlos Manuel Seabra Monteiro 15
Matosinhos (à Rotunda da Anemona)

Horário de funcionamento: 11h-19h

 

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Por Matosinhos: o Mercado

 

DSC00164A primeira vez que fui ao Mercado Municipal de Matosinhos foi há dez anos. Como tudo no distrito do Porto, o mercado mudou bastante desde então. Mas, apesar dos escritórios/lojas hipsters no 1º piso, ainda não está tão gentrificado como poderia estar. Naquela área, as coisas ainda parecem relativamente “virgens”, e espero que assim permaneçam por um tempo.

Sempre quis voltar e hoje foi o dia, aproveitando o bom tempo e folga no trabalho. Não fui para fazer compras, pois ia passear até a praia depois, mas gostei do que vi (com exceção das aves nas gaiolas – não sou hipócrita, como frango, mas os animais presos, sem espaço para se mexerem, ali à espera da morte não é visão que me agrade e, acho, se enquadra na categoria “crueldade animal”). Dá para matar umas duas horinhas bem passadas.

Gostei das opções de restauração, muito melhores e mais baratas que as do Mercado Bom Sucesso (que, em teoria, tem mais variedade e guloseimas, mas que não vêm do mercado, são franchises e coisas do género; o que aconteceu ao projeto antigo, por que se livraram do talhante, da peixaria, da loja de produtos biológicos? Uma vendedora que trabalha ali me disse que foi por causa do aluguel e que talvez abram um pequeno supermercado – ????? – no lugar da peixaria. De que vale “vender” o Porto como uma cidade de lugares e gentes autênticas se se torna impossível para os pequenos comerciantes locais fazerem negócio aqui? A sustentabilidade do turismo – e não só – da cidade tem que ser revista). Tem um café simpaticíssimo no 1º piso, uma filial do Comida de Rua, onde tomei um abatanado descafeinado (duplo horror, saia da sala se você gosta de café “de verdade”!!!!!) acompanhado de bolo de pêssego quentinho, recém-saído do forno.

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Ao lado do Comida de Rua, fica uma mercearia biológica muito boa, com todo tipo de produtos, incluindo pães frescos, o Biomercado.

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As opções de restauração incluem um café vegano/vegetariano que quero experimentar na próxima vez (era um pouco cedo para o almoço) e sushi com peixe do mercado (now we’re talking!).

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No térreo (rés do chão), fica o mercado de peixe e mariscos, mais a maioria das opções de restauração.

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No 1º piso, estão os escritórios/lojas, mais as frutas e legumes, ervas aromáticas, flores, plantas e outros produtos. E, infelizmente, os bichinhos engaiolados.

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Por comodidade – e às vezes falta de tempo, não dirijo e estou super bem servida de opções de comércio grande pertinho de casa -, estou acostumada a comprar nos supermercados e nas lojas mais conhecidas, mas ir ao mercado hoje foi uma espécie de “revelação”. Tirando as galinhas vivas e afins, tem tudo ali que eu preciso para fazer o tipo de compra que gosto de fazer, numa área e ambiente que acho super interessantes. Agora já sei o caminho.

Mercado Municipal de Matosinhos

R. França Júnior

4450-131 Matosinhos

Metro: Mercado

Horário de funcionamento: 6h30 às 18h (os cafés ficam abertos até mais tarde)