Baozi no Porto

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Há vida para a comida asiática no Porto para além dos intermináveis restaurantes de sushi, os chineses de menu previsível e os indianos mais caros do mundo (por que tão caros, Portugal, por quê?)? Espero que sim, já há uns dois ramen bars (a serem visitados do inverno, eu não sou fã de sopas em estações mais quentes), que venham propostas mais diversificadas, como, por exemplo, a do Bao’s – Taiwanese Burguer, um empreendimento do chef João Winck, que encontrou a inspiração para o restaurante durante férias em Taiwan.

Eu já tinha o Bao’s na minha lista de lugares a visitar fazia algum tempo. Em um dia sem inspiração e vontade de preparar o almoço, então, fui comer fast-food asiática na Rua de Cedofeita. Na verdade, a minha intenção era experimentar o bao de tofu, mas o de caranguejo (a opção mais cara) venceu. O menu é pequeno, mas tem opções para todos e, além das sandes/dos sanduíches, pratos de arroz para quem está mais a fim de uma refeição completa.

 

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De tanto assistir Masterchef Australia (sem link, não quero saber quem venceu a última temporada, ainda não exibida aqui) e programas do Bourdain, sempre tive curiosidade de provar caranguejo de casca mole. E por que não numa versão tempura, dentro de um pãozinho chinês cozido no vapor – um baozi de Taiwan -, lambuzado em maionese de wasabi e acompanhado de daikon, chalotas e coentros? Este pãozinho também era algo que queria muito experimentar.

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Eu adoro frutos do mar, marisco. Uma das minhas lembranças gastronômicas mais fortes  é a do gosto dos espetinhos de camarão fresco que costumava comer no litoral sul de São Paulo (na Praia Grande e no Guarujá) quando era criança. Extremamente doces e salgados ao mesmo tempo, nunca encontrei algo do gênero. Talvez porque estávamos a beira-mar, talvez porque, na infância, a intensidade dos sabores seja ainda mais pronunciada. Desde que comecei a gostar de comer – lá pelos cinco anos -, meu paladar nunca foi tímido, sempre gostei dos sabores fortes (mas nunca dos mais “ricos”, como o dos laticínios integrais e da manteiga, da banha, etc). Foram esses camarões que me fizeram apreciar quase tudo que vem do mar.

Os “hambúrgueres” são pequenos, exigem um repeteco ou um acompanhamento. Eu fui de chips de mandioca com tempero cajun, que achei um pouquinho duras (mas são assim, é uma questão de gosto e não de falha no preparo).

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Mas o bao estava sensacional, com tudo aquilo de bom que a cozinha asiática costuma proporcionar: um contraste delicioso de texturas (maciez, crocância, cremosidade), temperos, sabores. Para acompanhar, cerveja gelada.

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Não pedi sobremesa, mas as opções são bem tentadoras como, por exemplo, tarte (torta) de caramelo salgada. É que não sobrou lugar mesmo.

Bao’s

Rua de Cedofeita, 263

Cedofeita

Porto 4050 174

Tel. 22 243 7951

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Por Matosinhos: o Mercado

 

DSC00164A primeira vez que fui ao Mercado Municipal de Matosinhos foi há dez anos. Como tudo no distrito do Porto, o mercado mudou bastante desde então. Mas, apesar dos escritórios/lojas hipsters no 1º piso, ainda não está tão gentrificado como poderia estar. Naquela área, as coisas ainda parecem relativamente “virgens”, e espero que assim permaneçam por um tempo.

Sempre quis voltar e hoje foi o dia, aproveitando o bom tempo e folga no trabalho. Não fui para fazer compras, pois ia passear até a praia depois, mas gostei do que vi (com exceção das aves nas gaiolas – não sou hipócrita, como frango, mas os animais presos, sem espaço para se mexerem, ali à espera da morte não é visão que me agrade e, acho, se enquadra na categoria “crueldade animal”). Dá para matar umas duas horinhas bem passadas.

Gostei das opções de restauração, muito melhores e mais baratas que as do Mercado Bom Sucesso (que, em teoria, tem mais variedade e guloseimas, mas que não vêm do mercado, são franchises e coisas do género; o que aconteceu ao projeto antigo, por que se livraram do talhante, da peixaria, da loja de produtos biológicos? Uma vendedora que trabalha ali me disse que foi por causa do aluguel e que talvez abram um pequeno supermercado – ????? – no lugar da peixaria. De que vale “vender” o Porto como uma cidade de lugares e gentes autênticas se se torna impossível para os pequenos comerciantes locais fazerem negócio aqui? A sustentabilidade do turismo – e não só – da cidade tem que ser revista). Tem um café simpaticíssimo no 1º piso, uma filial do Comida de Rua, onde tomei um abatanado descafeinado (duplo horror, saia da sala se você gosta de café “de verdade”!!!!!) acompanhado de bolo de pêssego quentinho, recém-saído do forno.

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Ao lado do Comida de Rua, fica uma mercearia biológica muito boa, com todo tipo de produtos, incluindo pães frescos, o Biomercado.

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As opções de restauração incluem um café vegano/vegetariano que quero experimentar na próxima vez (era um pouco cedo para o almoço) e sushi com peixe do mercado (now we’re talking!).

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No térreo (rés do chão), fica o mercado de peixe e mariscos, mais a maioria das opções de restauração.

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No 1º piso, estão os escritórios/lojas, mais as frutas e legumes, ervas aromáticas, flores, plantas e outros produtos. E, infelizmente, os bichinhos engaiolados.

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Por comodidade – e às vezes falta de tempo, não dirijo e estou super bem servida de opções de comércio grande pertinho de casa -, estou acostumada a comprar nos supermercados e nas lojas mais conhecidas, mas ir ao mercado hoje foi uma espécie de “revelação”. Tirando as galinhas vivas e afins, tem tudo ali que eu preciso para fazer o tipo de compra que gosto de fazer, numa área e ambiente que acho super interessantes. Agora já sei o caminho.

Mercado Municipal de Matosinhos

R. França Júnior

4450-131 Matosinhos

Metro: Mercado

Horário de funcionamento: 6h30 às 18h (os cafés ficam abertos até mais tarde)