Broinhas de milho (fubá)

Quando o meu pai ia viajar, os jantares lá de casa costumavam ser lanches mais reforçados, o que eu adorava. Tirando uma fase de quase total repulsa por comida que, dizem, durou até os meus 2, 3 anos, eu sempre me vi como “bom garfo”, mas gostava às vezes de jantares mais leves – era mais divertido, e um pouco subversivo, sair do dogma brasileiro do arroz-feijão-mistura. Os fins de semana eram mais flexíveis, mas se meu pai estava fora, o cardápio noturno era menos “rígido” também nos outros dias. Não que ele exigisse isso ou aquilo, mas minha mãe sentia a responsabilidade de colocar três refeições completas na mesa durante a semana – que trabalho isto deveria dar!

Uma das coisas que a minha mãe preparava para esses lanches noturnos eram as broinhas de fubá, uma receita que, infelizmente, não encontrei nos cadernos dela. Poucas coisas na vida são tão boas como pães, pãezinhos e bolinhos recém-saídos do forno, e elas não eram exceção.

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Usei esta receita, mas com algumas modificações. Na primeira vez que a preparei, achei adocicada demais e com um travo a fermento acentuado. Eu não gosto de broa muito doce, motivo que me fez desistir de comprá-las fora, acho que o sabor fica “agressivo”. Não é frescura, é que me acostumei mesmo a um sabor mais suave e acho que não precisamos exagerar no açúcar em pães e bolos de milho/fubá. Sei que o açúcar ajuda a trazer um pouco de umidade a essa farinha de natureza mais seca, mas é só tomar cuidado com o tempo de forno (e mesmo as mais doces costumam ser muito secas, estas ficaram perfeitas).

As minhas mudanças:

2 1/2 cs de açúcar em vez de 4;

1 colher de sobremesa de fermento em vez de uma de sopa (a colher de sobremesa a que me refiro é aquela menor que a de sopa e maior que a de chá, a de comer sobremesas, uma medida pouco usada hoje em dia);

e nada de queijo ralado, em vez disto, usei raspas de um limão siciliano (e também as sementes de funcho, pois adoro).

Ficaram bem melhores que as da primeira vez, quase lembraram as da minha mãe. Difícil é parar de comer.

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Bolo de milho

Como brasileira luso-descendente, adoro chá (ou café) com bolo à tarde, mas evito fazer os muito doces porque, tirando quando saem do forno, sou eu que acabo comendo tudo – e daí quando você para para pensar, “comi quase duas xícaras de açúcar em dois dias” (sem contar a farinha!), bom, não fica muito feliz – pelo menos eu não fico, tampouco o meu estômago. E nem é porque “engorda”, é mesmo por questões de saúde. Na rua, tudo bem abusar um pouco, mas em casa tem que ser bolo leve – salvo nos aniversários, claro!

Eu ou uso açúcares mais nutritivos (melaço, geleia de arroz, açúcar de coco, açúcar mascavado), ou diminuo as quantidades.

Esta receita é adaptada a partir de uma que vi na internet e que não consigo mais encontrar. Resulta num bolo macio, saboroso e ligeiramente úmido – difícil parar de comer, este some rapidinho aqui em casa!

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300ml de leite de coco
1 e 3/4 xícaras de farinha de milho ou fubá
1 1/2 xícaras de açúcar amarelo (uma pode ser suficiente, prove!)
1/2 xícara da gordura de sua preferência (óleo, óleo de coco, manteiga/manteiga de coco derretida)
3 ovos grandes
1 colher de sopa de fermento

Bata tudo no liquidificador, despeje numa forma untada com manteiga e farinha e leve ao forno pré-aquecido a 170ºC por 30-35 minutos (depende do seu forno, fogo médio).

E para quem se importa – não tem glúten!