Muffins (queques) de maçã e amêndoas

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Esta receita foi inspirada numa outra – que não consigo encontrar, não tenho certeza de quão fiel é à original, talvez seja esta aqui – do Pete Evans, um polêmico “chef paleo” cuja série televisiva passou aqui no 24Kitchen. Eu não sigo a dieta paleo, mas adoro quase tudo que leva amêndoas, portanto tive que fazer a minha versão.

Fiz mais recentemente para um piquenique improvisado com a minha filha aqui no condomínio onde moramos. Eles ficam bem úmidos e saborosos – e são viciantes. Uma das minhas receitas preferidas.

Muffins de maçã e amêndoas

Ingredientes:

1 maçã sem casca e ralada (uso a variedade Golden)

1 xícara de farinha de amêndoas

1/2 xícara de farinha de trigo integral (ou da farinha sem glúten da sua preferência – só evitaria farinha de coco)

1/2 xícara de açúcar de coco (ou demerara, mascavado, etc)

1 colher de sopa de mel ou de geleia de arroz (se usar o açúcar de coco, senão, não é necessário; de qualquer modo, teste a doçura antes de adicionar)

3 ovos

1/4 de xícara de óleo de coco (ou de manteiga derretida)

1 colher de sobremesa de fermento em pó

Preparo:

Bater bem os ovos com o açúcar. Adicionar os demais ingredientes – o fermento por último – sem mexer  muito. Despejar numa assadeira de muffins* forrada com forminhas de papel – ou untar com a gordura de sua escolha -, sem encher até a borda, e levar ao forno pré-aquecido a 170º C por 15-20 minutos.

* Dessa vez, eu usei forminhas de silicone para queques, portanto rendeu apenas cinco muffins, mas de outro modo, rende uns oito.

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Por Matosinhos (parte 2): Chef Tapioca

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Depois de ter passado parte da manhã no Mercado de Matosinhos, resolvi ir andando até a praia. A minha ideia, na verdade, era almoçar no mercado, mas estava com vontade de caminhar e ver (caminhar no) o mar, e não tinha como ficar enrolando, era muito cedo ainda.

Pensei em parar no primeiro café que oferecesse algo que me interessasse, mas, no caminho que escolhi, o que mais vi foram marisqueiras e afins, mais casas de sushi e cafés que vendiam sanduíches e hambúrgueres (com aqueles menus horrorosos incluindo refrigerantes e batatas fritas, por que há tanta trashy fast-food naquela área?). Depois de dois cafés da manhã (um em casa e outro no mercado), não tinha fome para algo muito pesado. Foi quando me lembrei do Chef Tapioca, que planejava visitar com uma amiga.

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O ambiente é pequeno, mas bem jeitosinho, condizente com a localização, ou seja, com um ar praiano. Li resenhas de gente reclamando que é apertado, que o atendimento é lento, etc. Vamos combinar – não é um restaurante, é uma pequena lanchonete, como chamamos no Brasil. Para que muitos funcionários? Enfim, fui logo no início do horário de almoço, fiquei sozinha até a chegada do próximo cliente, portanto fui rapidamente atendida por uma funcionária muito simpática.

O lugar serve panquecas de tapioca com recheios doces e salgados, mais sucos (sumos) naturais e açaí na tigela. Eu vou confessar: só tinha provado tapioca uma vez, há muito tempo, não sabia bem o que esperar.

Fiquei um pouco decepcionada com as opções salgadas, esperava algo mais diferente, uma pegada mais regional e/ou saudável. Os recheios eram os de sempre – queijo, tomate, muçarela, atum, fiambre de peru, ovos, o que sempre me causa imenso tédio, pois são ingredientes que a gente tem em casa. E tapioca, só da branca mesmo. Escolhi a de cogumelos shitake com queijo, a mais cara e “diferente” da ementa (3,90 €), e achei simpático ter a opção de queijo sem lactose (que escolhi, pois eu e lactose não nos damos bem desde criancinhas). Eu também pedi uma limonada com mel e gengibre que estava ótima (geralmente não bebo sucos às refeições, só se vierem incluídos no menu combinado, mas estava com bastante sede e gosto de uma opção “natural”).

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Estava boa? Sim. Mas não havia nenhum toque especial, nada que fizesse da tapioca uma experiência memorável. Eu não me lembro ao certo da textura tapioca que tinha provado antes, mas achei essa um pouco seca, algo que combinaria melhor com um recheio cremoso ou com molho. Imagino que as doces sejam mais interessantes e vou dar uma segunda chance ao lugar, da próxima vez, com minha amiga.

De qualquer forma, é uma escolha legal de refeição ligeira (e um pouco mais saudável que as dos pães à base de trigo) para quem estiver por ali na praia e quiser fugir das opções de sempre dos bares de esplanada – ou dos lugares turísticos mais carinhos do Edifício Transparente. Acho, também, que minha filha vai gostar.

Chef Tapioca

Praceta Carlos Manuel Seabra Monteiro 15
Matosinhos (à Rotunda da Anemona)

Horário de funcionamento: 11h-19h

 

Por Matosinhos: o Mercado

 

DSC00164A primeira vez que fui ao Mercado Municipal de Matosinhos foi há dez anos. Como tudo no distrito do Porto, o mercado mudou bastante desde então. Mas, apesar dos escritórios/lojas hipsters no 1º piso, ainda não está tão gentrificado como poderia estar. Naquela área, as coisas ainda parecem relativamente “virgens”, e espero que assim permaneçam por um tempo.

Sempre quis voltar e hoje foi o dia, aproveitando o bom tempo e folga no trabalho. Não fui para fazer compras, pois ia passear até a praia depois, mas gostei do que vi (com exceção das aves nas gaiolas – não sou hipócrita, como frango, mas os animais presos, sem espaço para se mexerem, ali à espera da morte não é visão que me agrade e, acho, se enquadra na categoria “crueldade animal”). Dá para matar umas duas horinhas bem passadas.

Gostei das opções de restauração, muito melhores e mais baratas que as do Mercado Bom Sucesso (que, em teoria, tem mais variedade e guloseimas, mas que não vêm do mercado, são franchises e coisas do género; o que aconteceu ao projeto antigo, por que se livraram do talhante, da peixaria, da loja de produtos biológicos? Uma vendedora que trabalha ali me disse que foi por causa do aluguel e que talvez abram um pequeno supermercado – ????? – no lugar da peixaria. De que vale “vender” o Porto como uma cidade de lugares e gentes autênticas se se torna impossível para os pequenos comerciantes locais fazerem negócio aqui? A sustentabilidade do turismo – e não só – da cidade tem que ser revista). Tem um café simpaticíssimo no 1º piso, uma filial do Comida de Rua, onde tomei um abatanado descafeinado (duplo horror, saia da sala se você gosta de café “de verdade”!!!!!) acompanhado de bolo de pêssego quentinho, recém-saído do forno.

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Ao lado do Comida de Rua, fica uma mercearia biológica muito boa, com todo tipo de produtos, incluindo pães frescos, o Biomercado.

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As opções de restauração incluem um café vegano/vegetariano que quero experimentar na próxima vez (era um pouco cedo para o almoço) e sushi com peixe do mercado (now we’re talking!).

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No térreo (rés do chão), fica o mercado de peixe e mariscos, mais a maioria das opções de restauração.

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No 1º piso, estão os escritórios/lojas, mais as frutas e legumes, ervas aromáticas, flores, plantas e outros produtos. E, infelizmente, os bichinhos engaiolados.

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Por comodidade – e às vezes falta de tempo, não dirijo e estou super bem servida de opções de comércio grande pertinho de casa -, estou acostumada a comprar nos supermercados e nas lojas mais conhecidas, mas ir ao mercado hoje foi uma espécie de “revelação”. Tirando as galinhas vivas e afins, tem tudo ali que eu preciso para fazer o tipo de compra que gosto de fazer, numa área e ambiente que acho super interessantes. Agora já sei o caminho.

Mercado Municipal de Matosinhos

R. França Júnior

4450-131 Matosinhos

Metro: Mercado

Horário de funcionamento: 6h30 às 18h (os cafés ficam abertos até mais tarde)

 

 

 

 

 

#Cook for Syria: cozinhando pela Síria

Embora muitas vezes tenhamos ouvido e lido que “algo como o Holocausto, nunca mais!”, a verdade é que o extermínio de inocentes é ocorrência diária neste lindo, mas mal habitado planeta. E o inferno pelo qual estão passando os sírios, principalmente suas crianças, é enorme e desesperador, não há muito mais a dizer.

Como ajudar? A nossa capacidade é limitada, mas além de voluntariado e das doações a ONGs e agências internacionais, há outras iniciativas. Uma delas é este livro de receitas, recém-lançado, cujos lucros das vendas são todos revertidos para a ajuda humanitária aos sírios.

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Com colaborações de Yotam Ottolenghi e Jamie Oliver, entre outros, o #Cook For Syria merece um lugar na sua estante, na sua cozinha – se você adora, como eu, este tipo de culinária e, principalmente, quer ajudar. Vamos cozinhar pela Síria.

 

Broinhas de milho (fubá)

Quando o meu pai ia viajar, os jantares lá de casa costumavam ser lanches mais reforçados, o que eu adorava. Tirando uma fase de quase total repulsa por comida que, dizem, durou até os meus 2, 3 anos, eu sempre me vi como “bom garfo”, mas gostava às vezes de jantares mais leves – era mais divertido, e um pouco subversivo, sair do dogma brasileiro do arroz-feijão-mistura. Os fins de semana eram mais flexíveis, mas se meu pai estava fora, o cardápio noturno era menos “rígido” também nos outros dias. Não que ele exigisse isso ou aquilo, mas minha mãe sentia a responsabilidade de colocar três refeições completas na mesa durante a semana – que trabalho isto deveria dar!

Uma das coisas que a minha mãe preparava para esses lanches noturnos eram as broinhas de fubá, uma receita que, infelizmente, não encontrei nos cadernos dela. Poucas coisas na vida são tão boas como pães, pãezinhos e bolinhos recém-saídos do forno, e elas não eram exceção.

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Usei esta receita, mas com algumas modificações. Na primeira vez que a preparei, achei adocicada demais e com um travo a fermento acentuado. Eu não gosto de broa muito doce, motivo que me fez desistir de comprá-las fora, acho que o sabor fica “agressivo”. Não é frescura, é que me acostumei mesmo a um sabor mais suave e acho que não precisamos exagerar no açúcar em pães e bolos de milho/fubá. Sei que o açúcar ajuda a trazer um pouco de umidade a essa farinha de natureza mais seca, mas é só tomar cuidado com o tempo de forno (e mesmo as mais doces costumam ser muito secas, estas ficaram perfeitas).

As minhas mudanças:

2 1/2 cs de açúcar em vez de 4;

1 colher de sobremesa de fermento em vez de uma de sopa (a colher de sobremesa a que me refiro é aquela menor que a de sopa e maior que a de chá, a de comer sobremesas, uma medida pouco usada hoje em dia);

e nada de queijo ralado, em vez disto, usei raspas de um limão siciliano (e também as sementes de funcho, pois adoro).

Ficaram bem melhores que as da primeira vez, quase lembraram as da minha mãe. Difícil é parar de comer.

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porto.come: mercado gastronômico de Natal

Na busca de um programa para o feriado da quinta-feira, fomos parar no porto.come, uma feira gastronômica* de Natal de produtos regionais que aconteceu de de 8 a 11 de dezembro na Alfândega do Porto.

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Estavam lá comerciantes de produtos como doces, compotas, chás, fumeiros, vinhos, licores, fogaças e queijos.

Havia também uma área de restauração, incluindo food trucks. No Parisboa, comi este delicioso crepe de trigo sarraceno, recheado com queijo de cabra, nozes e mel, e acompanhado por uma generosa salada.

Uma coisa em que reparei é que havia muitos estandes de doces e compotas em comparação com os demais produtos, o que não é de todo ruim, mas um pouco mais de variedade teria sido interessante. E, falando em doces e compotas, acabei trazendo este para casa.

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Eu adoro marmalade = doce (geleia) de laranja, tanto como outros doces e curds cítricos (os cítricos e os caramelos são o meu chocolate) e, após uma prova oferecida pelo simpático casal abaixo representando a Licompotas (que também produz licores), não deu para resistir.

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Já coloquei a compota no mingau de aveia, misturei ao iogurte, enfim, é uma delícia. Pena que só indo a Resende para comprar (ou ao restaurante Essência para provar, o que não será nenhum sacrifício), todas que experimentei eram ótimas. E fiquei inspirada a fazer algumas geleias caseiras. A ver.

*havia também alguns produtos não gastronômicos, como sabonetes artesanais e roupas.

Leituras: Bee Wilson e Laura Pires

Passei um fim de semana prolongado na Inglaterra e, infelizmente, não tenho nenhuma aventura gastronômica a relatar – o lugar onde me hospedo não é particularmente empolgante e foi uma visita de família, com uma rápida passagem pela congelante Londres (que amo, mas não tenho conseguido rever com a calma necessária).

Entretanto, adquiri um livro que queria muito e ganhei um outro, que minha prima me enviou via uma amiga de Brasília que está passando duas semanas por aquelas bandas. O primeiro foi First Bite: How We Learn to Eat (Fourth Estate), de Bee Wilson, que discorre sobre as bases culturais, afetivas e psicológicas de nossos hábitos alimentares.

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É uma leitura fantástica nesta época de tanta confusão e proselitismo sobre como devemos comer ou não e, como é o meu caso, para quem tem filhos com relações problemáticas com a comida (não é um livro de “conselhos”, mas sim, uma reflexão elucidativa sobre a nossa relação com a comida).

O segundo, que veio do Brasil, é Nutrindo Seus Sentidos (Editora Rocco), da Laura Pires.

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Havia muito tempo que queria um livro sobre culinária e medicina ayurvédica, e este é perfeito. Comecei a acompanhar a Laura no Instagram e o livro entrou para minha lista de desejos assim que o vi. É abrangente e ao mesmo tempo tempo simples, e as receitas incluem a preparação de masalas (misturas de especiarias indianas), que é algo que sempre quis aprender. Ela tem outros livros publicados dentro do mesmo tema, todos interessantes.

Já segui algumas dicas de preparação de arroz e fiz uma receita, de bolinhos de arroz e abóbora. Os meus não ficaram douradinhos, mas acho que não eram para ser.

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Eu estou numa fase de cozinhar com abóbora, que não é um dos meus ingredientes favoritos para pratos salgados, mas resolvi dar uma chance devido à estação. No sábado, preparei esse curry (caril) a olho e ficou fantástico. A foto está sofrível (não reparem no estado do individual…), mas acho que dá para ter uma ideia.

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Assei cubinhos de abóbora e floretes de couve-flor até ficarem tostados. Quando já estavam quase prontos, numa panela, tostei sementes de alcaravia, funcho e mostarda no óleo de coco. Acrescentei cebola picada, alho espremido e pó de caril/ curry. Depois, tomates e e cogumelos laminados, mais um pouco de passata. Adicionei um pouco de água e, quando os tomates já estavam mais desmanchados, a abóbora e a couve-flor. Finalizei com leite-de-coco, piri-piri/ pimenta calabresa, coentros picados e corrigi o tempero – deixei cozinhar por mais uns 3-4 minutos. O arroz integral, tostei e cozinhei com sal, um anis estrelado e coentro em pó. A repetir.