Pitacos saudáveis #1

Eis uma nova rúbrica – mas sem a intenção de fazer grandes proselitismos à alimentação saudável. É que eu gosto de me alimentar bem e sem pesticidas, antibióticos e conservantes (ou crueldade animal, mas daí já é mais difícil sem se comprometer com uma dieta vegana), e estou sempre à procura de novas lojas e restaurantes que vendam ingredientes biológicos e incomuns/ sirvam refeições vegetarianas e veganas. Mas sou onívora.

No sábado, fui com a minha filha ao Human Fest Porto (13-16 de outubro, Pavilhão Rosa Mota, Jardins do Palácio de Cristal), e acabei lanchando por lá (comida vegetariana, na onda do evento). O estande que escolhi estava representando o restaurante Despertar da Sensibilidade (Rua Augusto Simões, 1359, Maia, Porto; tel. 22 948 9996). Havia opções interessantes de pratos quentes, as fotos da página do FB prometem um ambiente super zen e gostei do atendimento durante a feira. Provei(amos) o bolo, de beterraba, cenoura e espinafres com cobertura de chocolate, que estava ótimo (pensando seriamente em fazer uma versão aqui em casa, mas de cenoura e beterraba, duas camadas distintas, a criaturinha que pari detesta tudo verde). Experimentei, também, uma empada de tofu e cenoura; o recheio estava bem temperado, mas a massa, um pouco seca – acontece. O bolinho ao lado (que, na verdade, causou uma dor de barriga que durou até terça, uma pena, mas ela pareceu gostar) da empada era da minha filha; não cheguei a provar, e veio de outro estande, onde comprei o chá.

(alerta para TODAS as fotos a seguir: zero food styling)

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Cinco dias depois, na Baixa, resolvi finalmente conhecer o Da Terra (Rua Mouzinho da Silveira, 249, Porto, tel.: 223 199 257), mais um restaurante vegetariano no Porto, originalmente de Matosinhos. Uma conhecida tinha me falado maravilhas do tempero, é uma instituição vegetariana aqui da área, então, tinha bastante curiosidade. De qualquer forma, o Da Terra é um conceito mais amplo e também oferece cursos e workshops.

imgp0005imgp0014Primeiramente – eu compreendo que seja necessário capitalizar a clientela estrangeira (turística) que circula pela área. Mas o quadrinho podia ser bilíngue, não?

Lá dentro, o ambiente é luminoso e amplo, e o buffet é apresentado de forma elegante e tudo é muito bonito (bom, tão bonito quanto comida de buffet pode ser, já que não se tratam de pratos individuais). O atendimento é casual, e a moça atrás do balcão foi simpática ao explicar, após eu perguntar, que não aceitam cartão (?) e que eu poderia ir ao caixa eletrônico/ multibanco após a refeição se necessário (um voto de confiança que, no meu país de origem ou no da minha filha, dificilmente existe) – eu já tinha o meu prato feito na bandeja.

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Não pedi bebida e, após a minha primeira visita ao buffet, finalmente o empregado de mesa veio perguntar o que eu gostaria de beber. Um pouco tarde e, diante da minha negativa (em geral, não bebo durante as refeições, só vinho e cerveja quando como carne e, mesmo assim, não sempre), ele virou as costas sem dizer nada, como se eu realmente tivesse perdido todo e qualquer interesse. Não que houvesse algo a dizer, mas achei a atitude um pouco rude.

O que eu comi, em ordem cronológica (não sobrou espaço para sobremesa):

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Uma mistura de saladas: cenoura e passas, verde e Waldorf (amo). Um burrito de feijões e milho, uma torta/ tarte de legumes e torradinhas com homus de feijão branco e beterraba (acho que era isso, a textura cremosa era de feijões). A minha preferida foi a torta/ tarte, tanto que repeti na segunda rodada (assim como a Waldorf).

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Estes bolinhos cor-de-rosa com uvas eu não sei bem o que eram, mas tinham textura de polenta cozida. Pensando bem, acho, sim, que eram de polenta com beterraba. Não sei se gostei ou não, mas não estavam ruins. Neste prato há também a cebolada com tofu – muito boa, o tofu estava bem temperado, tinha sabor de queijo. No buffet, há sempre três pratos principais quentes, mais sopa, saladas e acompanhamentos variados.

Por fim, o outro prato quente. O caril de abóbora e cogumelos.

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Estava bom, mas a minha ideia de caril é um pouco diferente – molho espesso, seja à base de tomates, natas, amêndoas ou leite de coco, com uma mistura de especiarias um pouco mais complexa. Acho que a textura dos legumes pedia um molho mais encorpado. O seitan eu não (nunca) provei, já não havia espaço, e eu realmente não me sinto atraída por um pedaço de proteína difícil de digerir. Todos os restaurantes vegetarianos oferecem seitan, que eu vejo mais como “satã”. É subjetivo, sei.

O veredito? Voltaria, sim, quero experimentar mais. Adorei? Não, mas sei que é assim com buffets – o menu é um pouco desconexo, nem todas as opções são interessantes ou estão na temperatura certa, etc. Acho que o atendimento, pelo menos na Baixa, é às vezes um pouco impessoal, senti como se estivesse em Londres, numa cidade grande qualquer (algo como um “não lugar”), o que é bom para o negócio em termos de clientela turística, mas não me convence muito. Principalmente em uma cidade conhecida pela simpatia.

Todas as fotos são creditadas a mim, exceto quando outra fonte for citada. © Daniela Oliveira, todos os direitos reservados

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